Confraria Amazonense da Cachaça
Nascida em Manaus, reunimos amigos e apreciadores para celebrar a cultura da cachaça, compartilhar conhecimento e viver bons encontros em torno do destilado mais brasileiro que existe.
Conheça a ConfrariaA CONCA nasceu em 2018 em Manaus com um propósito simples e profundo: reunir pessoas apaixonadas pela cachaça artesanal brasileira para celebrar, aprender e compartilhar.
Somos uma confraria de apreciadores — não apenas de um destilado, mas de uma cultura. Cada encontro é uma viagem pelos alambiques do Brasil, com degustações comentadas, harmonizações e histórias que aquecem mais do que a própria bebida.
Da Amazônia para o Brasil: levamos o orgulho regional a cada garrafa que abrimos juntos.
Valorizar a cachaça artesanal e promover a cultura brasileira com respeito e apreciação.
Ser referência em cultura da cachaça no Amazonas e na Amazônia Legal.
Amizade, conhecimento, respeito às tradições e paixão pelo Brasil.
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A CONCA é feita de pessoas. Amigos que se reúnem com respeito, alegria e a boa cachaça como fio condutor. Conheça quem faz parte dessa família.
Gilberto Cavalcanti · Gil
Fundador · Membro desde 2018
O homem por trás da CONCA. Gil reuniu amigos em torno de uma paixão comum e transformou encontros informais numa confraria com identidade, tradição e muito sabor.
A CONCA não é um clube de elite. É uma reunião de pessoas que respeitam a cachaça, valorizam o Brasil e acreditam que os melhores momentos são vividos em boa companhia. Aqui, o critério para entrar é simples: amor pelo destilado e respeito pelos confrades.
Literatura recomendada sobre bebidas
Da cana trazida pelos portugueses em 1502 às revoltas coloniais e à Semana de Arte Moderna — a trajetória da bebida que é símbolo do Brasil e razão de ser da CONCA.
Você sabia que a cachaça é o primeiro destilado das Américas? Que ela já foi proibida por decreto real, usada como moeda no tráfico negreiro e empunhada como símbolo de liberdade na Conjuração Mineira? Este resumo conta essa história — de onde veio, o que enfrentou, e por que ela ainda está aqui, no centro da nossa mesa e da nossa identidade. Para um estudo mais aprofundado, consulte as obras listadas nas referências ao final — algumas delas com mais informações e links para compra na seção Leituras do nosso site.
"Onde mói um engenho, destila um alambique." A frase é de Luís da Câmara Cascudo — e resume, em nove palavras, cinco séculos de história. A cachaça não nasceu por acaso nem por invenção: ela emergiu do encontro inevitável entre a cana-de-açúcar e a arte da destilação. Dois elementos com o mesmo vetor de difusão pelo mundo — os árabes — que se encontraram no Brasil e criaram algo genuinamente nosso (Jannuzzi, 2025; Martins da Silva, s.d.).
A cana tem origem na ilha de Nova Guiné, na Oceania. Percorreu a Ásia, chegou ao Egito, espalhou-se pela Europa através da ocupação árabe e alcançou as ilhas atlânticas — Canárias, Madeira e Açores — no século XV, antes de cruzar o Atlântico. A destilação seguiu o mesmo caminho: dominada pelos alquimistas árabes desde os séculos X e XI, Jabir ibn Hayyan (Geber) já descrevia o álcool obtido do vinho por destilação nos séculos VIII e IX, destacando seu poder medicinal (Jannuzzi, 2025). Quando portugueses e espanhóis chegaram ao Novo Mundo, já dominavam a destilação da bagaceira. Bastou encontrarem a garapa azeda da cana para que a história recomeçasse (Souza, 2022).
Em 1502, as primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram ao Brasil trazidas pelo navegador Gonçalo Coelho. Os engenhos começaram a se estabelecer no litoral brasileiro entre 1516 e 1532 (Alcarde, 2024). Em Pernambuco, entre 1516 e 1526, funcionou a Feitoria de Itamaracá — onde teria sido destilada a primeira aguardente de cana do Brasil, e consequentemente das Américas, antes do pisco, da tequila, do rum e do bourbon. Em São Paulo, o Engenho São Jorge dos Erasmos, em São Vicente, datado de 1532, é a mais antiga evidência física preservada da colonização portuguesa em território brasileiro (Alcarde, 2024; Jannuzzi, 2025).
A prova documental mais concreta vem da Bahia. O Livro de Contas do Engenho de Nossa Senhora da Purificação de Sergipe do Conde, no Recôncavo Baiano, registra entre 1622 e 1623 a compra de "hua canada de augoa ardente p.ª os negros da levada" — a aguardente era destinada ao consumo dos escravizados (Instituto do Açúcar e do Álcool, 1956 apud Cascudo, 1968; Jannuzzi, 2025). Em 1610, o viajante francês François Pyrard de Laval já havia registrado em Salvador: "Faz-se vinho com o suco da cana, que é barato, mas só para os escravos e filhos da terra" (Cascudo, 1968, p. 15; Martins da Silva, s.d., p. 21).
Diferente do cauim — bebida indígena feita de milho mastigado, sem qualquer relação com a cachaça — a aguardente de cana tornou-se rapidamente um elemento central da economia colonial (Souza, 2022; Martins da Silva, s.d.). Juntamente com o tabaco, passou a ser moeda corrente no escambo de escravizados na costa africana. Os destilados tinham vantagem decisiva: ao contrário do vinho e da cerveja, não estragavam nas longas travessias oceânicas (Alcarde, 2024; Jannuzzi, 2025).
O nome cachaça, curiosamente, não vem dos portugueses nem dos indígenas. Segundo Souza (2022) e Alcarde (2024), o termo foi popularizado no final do século XVII pelos próprios escravizados africanos, que chamavam assim a aguardente da terra. Uma das hipóteses aponta para o espanhol cachaza — designação da espuma do caldo de cana que fermentava naturalmente e, destilada, originou a bebida (Alcarde, 2024). Cascudo (1968) registra ainda que a menção mais antiga da palavra em Portugal aparece numa carta do poeta Sá de Miranda (1481–1558) a seu amigo Antônio Pereira — provando que o vocábulo existia antes mesmo do Brasil tornar a bebida sua.
Com o crescimento da produção, a Coroa Portuguesa reagiu: em 1649, uma Carta Real proibiu a fabricação e a venda de aguardente em todo o Brasil — exceto em Pernambuco (Martins da Silva, s.d.; Alcarde, 2024). A proibição foi amplamente ignorada. Em 6 de novembro de 1660, 112 senhores de engenho atravessaram a Baía de Guanabara para exigir o fim do tributo. Era a Revolta da Cachaça (Bíblia da Cachaça, 2019). Em 13 de setembro de 1661, o rei D. Afonso VI suprimiu a proibição, chamando-a de "ridícula, inoperante e ineficaz", substituindo-a por impostos crescentes (Martins da Silva, s.d., p. 22; Alcarde, 2024). A data — 13 de setembro — é hoje o Dia Nacional da Cachaça, instituído em 2009 pelo IBRAC (Bíblia da Cachaça, 2019).
Do ouro de Minas Gerais ao Porto de Paraty: a cachaça seguiu pelos tropeiros pela histórica Trilha do Ouro. A fama da região produtora foi tanta que "parati" virou sinônimo da bebida — assim como se diz "um champagne" ou "um cognac" (Martins da Silva, s.d.).
Na Conjuração Mineira de 1789, intelectuais, sacerdotes e militares brindavam com cachaça como gesto de protesto contra Lisboa: era patriotismo recusar os produtos de Portugal. Na Revolução Pernambucana de 1817, o padre João Ribeiro recusou o vinho francês e pediu, para o brinde, a aguardente de cana (Freyre, 1989, p. 98 apud Martins da Silva, s.d.; Cascudo, 1968, p. 37). Décadas depois, conta-se que o próprio Dom Pedro I celebrou a emancipação brasileira com uma boa talagada de cachaça — gesto que consolida a bebida como ícone libertário (Bíblia da Cachaça, 2019).
Após a Abolição dos Escravos em 1888, a cachaça experimentou seu lado mais triste. Sem moradia ou sustento, os ex-escravizados encontraram nela refúgio para a miséria. A bebida passou a ser vista com preconceito, tornando-se sinônimo de "pinguço" e "cachaceiro" — termos pejorativos que mancharam sua imagem por décadas (Martins da Silva, s.d.). O Dicionário Folclórico da Cachaça, de Souto Maior (s.d.), é um registro precioso dessas expressões populares — de abre ao zabelê, um inventário vivo da cultura cachaçeira brasileira.
Em fevereiro de 1922, durante a Semana de Arte Moderna, o movimento que buscava reforçar o acento brasileiro trouxe a cachaça de volta à mesa, acompanhando pratos tradicionais. A bebida passou a inspirar sambas, marchinhas, frevo e serestas, tornando-se parte integrante da realidade histórica e social do Brasil (Martins da Silva, s.d.).
No século XXI, a cachaça ganhou também a linguagem da ciência. André Ricardo Alcarde, professor da ESALQ/USP, demonstrou em Cachaça: ciência, tecnologia e arte que a bebida é um sistema químico complexo, onde madeira, leveduras, cobre e tempo se combinam para criar perfis sensoriais únicos (Alcarde, 2024). Hoje, com mais de 40 mil marcas registradas e presença em mais de 60 países, a cachaça é reconhecida por lei como denominação exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil — patrimônio cultural de um povo, celebrado a cada encontro da CONCA.
Tem uma cachaça para indicar? Quer participar de um evento? Ou simplesmente quer trocar uma ideia sobre o destilado mais brasileiro do mundo? A gente está aqui.
Mascote da CONCA — pergunte à vontade! 🌿